Pequenos barcos com grandes histórias
Data: 23/06/2015 Autor: Fernando Lee

Nos últimos dias, centenas de pessoas conheceram a coleção de barcos do lagunense Luis Lauro Pereira Júnior, 51 anos, em exposição na Udesc até este final de semana. Nas mãos do artista barcos com mais de 10 metros comprimento são transformados em miniaturas de meio metro, com detalhes de cativar o espectador pelos detalhes.
O trabalho minucioso começou em 1995, envolve pesquisa e tudo que for possível agregar informações corretas sobre as embarcações. O resultado é uma vasta bibliografia de cada modelo construído com muitas histórias vividas pelos barcos nas inúmeras viagens nos mares, rios e lagoas de todo o mundo.
Nesses quase 20 anos, foram construídos 130 barcos na oficina do artista em sua residência em Laguna. Começou preparando peças para decoração da própria casa.
De todo o trabalho do artista, vale ressaltar a coleção Alves Câmara século XXI, única no mundo sobre embarcações típicas brasileiras construídas partir de 2004. Já percorreu várias cidades do Brasil.
Sendo 33 feitas pelo modelista Luiz Lauro Pereira, 45 por Cony Baumgart, 85 anos, mestre maior do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul e Carlos Heitor Chaves com 50 peças, pesquisador e modelista. Todas as peças da coleção foram tombadas em 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Outro destaque é a coleção Barcos do Mundo, inspirada no almirante francês François Edmond Pâris. Durante suas várias aventuras ao redor do mundo, empreendidas entre 1826 e 1871, o oficial da Marinha observou o desenho de todos os barcos que jamais conhecera e, para eternizar o que via, pintava aquarelas de extrema sensibilidade com enorme precisão gráfica. Lauro ficou fascinado pelo que encontrou e construiu 50 modelos dos barcos citados e até desenhados pelo francês.
Esse projeto contou com o apoio do Iphan e associação dos amigos do Museu Nacional do Mar, com objetivo de apresentar as influências que tiveram sobre as embarcações tradicionais brasileiras. Uma aula de história através dos barcos.
Maior sonho
Reconstruir uma embarcação em tamanho natural típica do complexo lagunar e vê-la navegando na lagoa Santo Antônio dos Anjos é algo que vem perseguindo o artista em seus sonhos. A canoa de porão ou de convés foi muito utilizada até meados do século XX, desaparecendo por completo entre as décadas de 70 e 80.
Como o acesso por terra era difícil, toda movimentação comercial era feito através destas embarcações, ligando as cidades complexo Lagunar e também trazendo produtos da Serra, que chegavam em lombos de burros pelos tropeiros até Imaruí. O projeto já tem como patronos o navegador Amyr Klink e o professor Dalmo Vieira Filho.
Informações da Secretaria de Comunicação Social do Governo Municipal de Laguna, SC e Divulgação na BNC TV de Tubarão, SC.